Artist Statement
Gosto de experimentar formas gráficas nos meus desenhos e aprendi a sintetizar meu traço com minhas limitações tanto físicas do espaço onde moro quanto minhas próprias limitações técnicas no graffiti durante a manipulação da lata spray. Essas duas experimentações, também influenciadas pela cultura da arte urbana me levaram a uma personagem de arte gráfica que consiste em um símbolo cotidiano e universal quase ingênuo: a borboleta. Continuo com a herança cultural da personagem do graffiti tradicional ou old school que nos ensinar a marcar o território do espaço urbano com nossa subjetividade coletiva. Mas agora tento trazer uma camada de debate digital sob uma perspectiva crítica, ao usar a realidade aumentada como uma segunda camada sobre essa borboleta. Singela e minimalista, a minha borboleta tem asas de chiado imagético, que no papel, sem o auxílio de uma tela, está desligada. O seu corpo é apenas um ossinho, referência ancestral a Oyá como senhora dos eguns, divindade do culto de matriz africana que faço parte. Trago esse simbolismo como uma metáfora dos corpos ora vivídos, ora apáticos que transitam pelo ambiente urbano, seja ele on line ou off line, real ou virtual. Onde a guiança do olhar não promete respostas fáceis e sim mais perguntas.